Há vários dias estou “trancado” dentro de casa cumprindo com a quarentena e hoje foi um dia muito difícil pra mim.
Bateu um tédio gigantesco como nunca tinha sentido antes nestes 30 dias sem poder se socializar.
Acordei, pois já não queria mais dormir. Tomei café como habitualmente e me senti muito mal com falta de ar. Com certeza não preciso mais de uma caneca cheia de café pra me dar energia pro meu dia. Tanta cafeína pra quê? Percebi que preciso diminuir isso.
O dia foi desenrolando. Hora de definir o cardápio do almoço. Outro dilema: O que cozinhar e como? A arte e terapia de ser um cozinheiro já não estava no meu ápice.
Numa discussão com o namorado, esqueço o arroz no fogo que queima. Puts. Fiquei puto? Não, tive que me reinventar em cima da minha invenção, no final das contas, tive que buscar o Master Chef dentro de mim, rsrs.
Almoçamos em paz, com muito carinho. E agora? Assistir algo? Dormir? O que faremos?
Dormimos.
A série que estou vendo (Sense 8) sim, após “décadas” do seu lançamento, me impressionou muito, achei demais o enredo, o roteiro, tudo, inclusive indico para ver. Só que hoje, 17 de Abril de 2020, ela estava entediante. Reparava nas cenas e suas falhas de “realidade” que eu até parecia um crítico de cinema profissional. Estava me achando chato. Parei. Por fim, terminei de ver a série.
Vamos cozinhar novamente? “Vamos”, vai você lá. Ele foi. Liguei para os meu filhos que moram em Minas Gerais. Foi muito rápido. Oi, como vão. Eles estavam entretidos com um filme na tv, deixei verem-no.
Meu namorado fez um bolo de banana seguindo a minha receita mas com algumas alterações. Ficou bem gostoso. Tomamos nosso café da tarde, péra, não, tomamos um chocolate quente. Lembra que eu diminuiria a quantidade de café do dia? Pois, mudanças feitas.
Minha amiga me mandou uma mensagem dando uma opinião que eu não perguntei sobre um curso que eu desisti de fazer.
Respondi sinceramente, sem ser mal educado, afinal de contas, é minha amiga.
Me lembrei de noite que não li o evangelho segundo o espiritismo pela manhã. Certeza que isso fez diferença. Uma energia estranha ficou no presa no ar…
Como eu fiz uma refeição doce, quero uma salgada. O que faremos para a janta? Perguntei assim que acabamos o nosso café da tarde, que foi de noite, por volta das dezenove horas. Muitas inversões aconteceram nesta sexta-feira.
Que doidera, fui pego pelo tédio. Pelo ao menos demorou. Hoje estava cansado de estar fazendo o que fazia. Não. Não podia pensar em fazer algo diferente porque senão, não seria tédio, que é estar cansado do que se costuma fazer.
De fato, o que foi diferente hoje que me fez bem foi escrever. Este é o segundo texto que escrevo.
Nosso último acontecimento foi que ele se aborreceu por eu questionar o que jantaríamos, algo que ele não está acostumado a fazer, mas que eu faço, e que ele me acompanha. Reclamou muito. Deixei. O tédio pegou ele também, entendi. Observei e fiquei calado. Deixei ele descarregar.
Minutos depois peguei o meu notebook, meu fone de ouvido e por fim, senti um relaxamento, me senti bem e saí da rotina. Mandei o estresse embora.
Eu percebi como é complicado a relação humana. Sim, é muito complicada.
Fiquei imaginando, fora da minha realidade, as pessoas que estão sozinhas, as que estão acompanhadas de quem se detesta ou de quem se ama; quem tem o que comer e quem passa fome; quem se entende e quem está se descobrindo. Sim, nossos “eus” estão em mutação. Isso é muito difícil, complicado, cansativo, empolgante, desafiador.
Uma coisa eu tenho certeza: As pessoas não serão mais as mesmas, algo mudará em todos nós ou quiçá, muita coisa mudará em nós. O planeta terra nunca mais será o mesmo e não tem como fugir de nós mesmos.
Me entendi comigo mesmo e vou tomar um banho. Boa noite! Graças a Deus, não sinto tédio em ser educado.
Ramon Jesus